• Dr. Tiago O. Fontanive, BMD

Pesquisadores descobrem o motivo da alergia ao leite de vaca

A ligação insuficiente do ferro a proteínas capazes de causar alergias pode constituir um mecanismo responsável pelo desenvolvimento da doença. Depois de cientistas na Vetmeduni Vienna, na Universidade Médica de Viena e na Universidade de Viena descobrirem recentemente o mesmo mecanismo com relação ao principal alérgeno do pólen de bétula, Bet v 1, eles mostraram que esse mecanismo também se aplica à beta-lactoglobulina, o alérgeno principal do leite de vaca. O estudo foi publicado na revista "PLOS ONE".


A beta-lactoglobulina só é capaz de dar início a uma alergia quando está desprovida de ferro. Carregada de ferro, a proteína é inofensiva. A formação dos linfócitos Th2 é iniciada em pacientes com uma alergia. Os linfócitos Th2 contribuem em grande medida para a produção de anticorpos IgE contra as proteínas do leite. Daí, as pessoas desenvolvem uma reação alérgica ao leite.


A beta-lactoglobulina pertence à família de proteínas lipocalinas. As lipocalinas possuem bolsas moleculares capazes de acomodar os complexos de ferro. O ferro é ligado à proteína por sideróforos. Os pesquisadores mostraram agora que uma proteína do leite "vazia" sem ferro e sideróforos ajuda a ativar os linfócitos Th2. Como consequência, é estimulada a produção dos anticorpos IgE contra a proteína do leite. O paciente é sensibilizado e pode desenvolver uma reação alérgica ao leite.


Em uma próxima etapa, os cientistas querem descobrir o que contribui para a carga de ferro das proteínas do leite. "Uma das perguntas mais prementes que desejamos responder é: por que essas proteínas do leite são mais ou menos carregadas com ferro? O modo de criar e alimentar as vacas pode ser um fator envolvido neste fenômeno. A carga de ferro pode depender do método de produção do leite, se é produzido de forma orgânica ou convencional. As lipocalinas existem em todos os mamíferos. Supomos que nossas conclusões serão aplicáveis também ao leite de outros mamíferos", explicou a investigadora principal Erika Jensen-Jarolim.


Referências: PLOS ONE

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